Entrevista Especial – Organização do evento

Daniela Germann – coordenação do curso de Jornalismo, Giovanna Flores – organização local, Monica Martinez – diretora científica SBPJor e Cláudia Lago – presidenta SBPJor, concederam entrevista para o Comunica fazendo um balanço do evento SBPJOR 2016, sediado na Unisul Pedra Branca.

Dulcilia Buitoni é homenageada pela trajetória acadêmica

dulceDulcilia Buitoni foi uma das figuras marcantes que estiveram presentes no SBPJor. Reconhecida pela sua trajetória acadêmica e por sua contribuição para o campo do jornalismo, ela recebeu o prêmio Adelmo Genro Filho na categoria Sênior. Pesquisadora que carrega uma bagagem histórica digna de compartilhamento, atuou como professora de Comunicação em São Paulo e foi amiga de Vladimir Herzog.

Sua tese de doutorado virou o livro Mulher de Papel, uma análise da representação da mulher na imprensa feminina brasileira. Ela discute, pesquisando em mais de um século de publicações (até os anos de 1970), em que medida a imprensa difundiu conteúdos que influenciaram na formação da consciência da mulher. “Fiz relação de como o modelo de mulher americana estava presente no modelo de mulher brasileira”, conta.

Acredita que ainda seguimos padrões e destaca a importância de pesquisas que ainda hoje analisam como as mulheres brasileiras copiam atitudes e comportamentos de mulheres de outros países e como a imprensa é fundamental nesse espelhamento. Dulcilia cita um aluno seu que elaborou pesquisa em torno da revista Cláudia e como ela contribuiu para a naturalização da prática da cirurgia plástica. “Hoje, mutilar ou acrescentar prótese para transformar o corpo é algo banal e aceitável. Ter peitos grandes é algo das americanas que simplesmente as brasileiras aderiram”, analisa.

A pesquisadora diz que muito já foi feito pela autonomia das mulheres, mas diz que esperava mais. Acredita que a situação não mudou tanto quanto deveria daquela época para os dias de hoje. “A mulher continua sendo objetificada, só que hoje com a desculpa de agora eu faço isso por mim mesma”. Ainda assim, pouco ou muito, certamente os estudos de jornalismo e do papel da mulher progrediram no Brasil com a contribuição de Dulcilia Buitoni.

 

Texto: Marina Borba Camargo

Foto: Douglas Heinzen

Encerramento reúne colaboradores e congressistas

Depois de três dias repletos de atividades termina o 14º encontro dos pesquisadores em jornalismo. O término foi marcado pela integração entre a equipe organizadora, os palestrantes, participantes, além dos alunos de graduação que participaram da JPJor, possibilitando uma maior interação com a pesquisa científica. As avaliações das comissões local e nacional foram positivas sobre a participação e a qualidade dos debates, dando ainda mais gás para organizar o encontro de 2017.

Com afeto, Claudia Lago, presidenta da SBPJor, fez o discurso da cêrimonia, também com bom humor e algumas piadas. Ela agradeceu aos participantes e também aos monitores, que trabalharam nas palestras e debates durante os três dias.

A comissão organizadora local avaliou o evento como um sucesso pela possbilidade de trazer para a Unisul pequisas nacionais sobre jornalismo, aproximar os estudantes dos Cursos de Jornalismo e Publicidade de estudos e pesquisadores e também por proporcionar a experiência de cobrir o evento durante os três dias. Estudantes dos dois cursos produziram reportagens em texto e vídeo sobre toda a programação, além de fotos e publicações nas redes sociais da Unisul e da SBPJor. As professoras coordenadoras Giovanna Flores e Daniela Germann agradeceram monitores, professores, os estudantes que participaram da cobertura e os  participantes por ter participado do encontro.

Texto: Carolina Leoni Fagundes

Foto: Thalles Martins

As imagens que contam histórias

Na mesa coordenada de Narrativas Imagéticas, da Rede de Pesquisa Narrativas Midiáticas Contemporâneas (Renami), o tema foi o fotojornalismo. A cobertura da tragédia do rompimento da barragem em Mariana, a construção do processo de impeachment através da leitura da imprensa e os diversos olhares sobre as favelas do Rio de Janeiro foram os trabalhos apresentados na comunicação.

A doutora Maria Alice Lima Baroni (PUC – RJ) falou de como a favela é retratada nas visões de fotojornalistas e dos fotógrafos populares. Maria Alice mostrou o trabalho e sua análise da produção de moradores do complexo da Maré, que tiveram aulas com os fotógrafos Ricardo Funari e JR Ripper, com seu olhar de dentro da comunidade. Uma das impressões desse trabalho é busca dos moradores por desconstruir a ideia de favela como um espaço de violência.

A pesquisadora afirma que desde a morte do repórter investigativo Tim Lopes criou-se uma tensão na relação entre cidade e favela, em especial a respeito da presença do tráfico em comunidades do Rio de Janeiro. Segundo ela, embora a presença da imprensa hegemônica muitas vezes coíba os abusos policiais realizados dentro da favela, frequentemente tais locais são retratados apenas mostrando o caráter “performático” do crime.  A instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a atuação das milícias e as disputas entre os traficantes também foram temas debatidos com o grande grupo.  ‘

Os pesquisadores André Luís Carvalho e Karina Gomes Barbosa, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), contam a história do rompimento da barragem da Samarco através das capas do jornal O Estado de Minas, que cobriu os 30 dias após a tragédia e criou o imaginário visual do tema. O principal personagem deste episódio acaba sendo a lama – deixando de lado os sujeitos, suas dores e silenciando as pessoas atingidas.

Sobre a narrativa midiática da construção do impeachment de Dilma Rousseff, Leylianne Alves Vieira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou a análise de capas de revistas e jornais brasileiros que produziram discursos agressivos contra a ex-presidenta, utilizando-se muitas vezes imagens descontextualizadas.

Texto: Beatriz da Rocha

Foto: Douglas Heinzen

Novas formas de pagar a conta

No último período de atividades do 14º SBPJor, antes da cerimônia de encerramento oficial, dez sessões coordenadas deram continuidade às apresentações de pesquisa no evento. Na sessão 21, sobre jornalismo e empreendedorismo, dois pesquisadores trouxeram trabalhos relacionados ao financiamento para realizar e distribuir produções jornalísticas.

fernando
Fernando Soares comenta sobre o crowfunding no Brasil

Fernando Soares apresentou o artigo O crowfunding no jornalismo brasileiro: um panorama sobre o uso de uma nova fonte de financiamento. Utilizando dados do saite Massolution, que estipula em 2015 movimento de US$34,4 bilhões, dos quais US$6,2 milhões envolvem projetos em jornalismo. A pesquisa de Fernando foi com dados de 2011 até 2015. Foram 141 projetos jornalísticos, dos quais 47% obtiveram êxito, a concentração ficou nas regiões Sul e Sudeste (São Paulo, principalmente). Desses projetos, 67 dos bem-sucedidos correspondem a 90% do valor arrecadado. Foram 17 mil pessoas investindo nas arrecadações para jornalismo e, destes, 15 mil doaram para um projeto que conseguiu atingir a meta. A média foi de 120 colaboradores financeiros por proposta. Soares ainda trouxe dados mostrando que, desses, a maioria dos projetos envolve conteúdo online. Os formatos que nunca conseguiram verba são de fotojornalismo, rádio ou podcast.  Nas causas e perspectivas desses fatores, o pesquisador afirma que as crises econômica e de credibilidade influenciam nessas mudanças, mas a modalidade de arrecadação online terá cada vez mais atores envolvidos.

No último período de atividades do 14º SBPJor, antes da cerimônia de encerramento oficial, dez sessões coordenadas deram continuidade às apresentações de pesquisa no evento. Na sessão 21, sobre jornalismo e empreendedorismo, dois pesquisadores trouxeram trabalhos relacionados ao financiamento para realizar e distribuir produções jornalísticas.

Fernando Soares apresentou o artigo O crowfunding no jornalismo brasileiro: um panorama sobre o uso de uma nova fonte de financiamento. Utilizando dados do saite Massolution, que estipula em 2015 movimento de US$34,4 bilhões, dos quais US$6,2 milhões envolvem projetos em jornalismo. A pesquisa de Fernando foi com dados de 2011 até 2015. Foram 141 projetos jornalísticos, dos quais 47% obtiveram êxito, a concentração ficou nas regiões Sul e Sudeste (São Paulo, principalmente). Desses projetos, 67 dos bem-sucedidos correspondem a 90% do valor arrecadado. Foram 17 mil pessoas investindo nas arrecadações para jornalismo e, destes, 15 mil doaram para um projeto que conseguiu atingir a meta. A média foi de 120 colaboradores financeiros por proposta. Soares ainda trouxe dados mostrando que, desses, a maioria dos projetos envolve conteúdo online. Os formatos que nunca conseguiram verba são de fotojornalismo, rádio ou podcast. Nas causas e perspectivas desses fatores, o pesquisador afirma que as crises econômica e de credibilidade influenciam nessas mudanças, mas a modalidade de arrecadação online terá cada vez mais atores envolvidos.

gabriel
Gabriel Galli explica sobre a importância das comunidades no crowfunding

Gabriel Galli apresentou o artigo Reflexões sobre a importância da formação de comunidades no crowfunding do jornalismo. A necessidade em competir pela atenção para conseguir os incentivos financeiros é grande e se dá pela falta de verbas. Gabriel também trouxe dados para ilustrar que 2015 foi o pior ano da indústria jornalística, enquanto a circulação caiu 7%, a publicidade cresceu 8%, o maior índice desde 2009. Além disso uma onda de demissões vem acontecendo no Brasil. No entanto o sistema de crowfunding já colaborou com sites como Agencia Pública, com R$70 mil para bolsas de reportagens investigativas e Jornalistas Livres com R$133 mil, durante o ano. Na Holanda há o caso do De Correspondent, que com 60 mil assinantes, colaboram com US$60 por mês para manter o saite, que começou com crowfunding. Por fim, Gabriel citou que “é necessário repensar as atividades jornalísticas”, é preciso tomar cuidado para manter as qualidades de jornalista porque aqueles que auxiliam financeiramente acabam se tornando um pouco editores da iniciativa que apoiam.

Entrevista Especial – Felipe Pontes

A obra Adelmo Genro Filho e a Teoria do Jornalismo expõe as mediações presentes na produção e recepção de O Segredo da Pirâmide: para uma teoria marxista do jornalismo bem como os conceitos filosóficos que fundamentam a assertiva de Genro Filho. Felipe Pontes concedeu entrevista ao Comunica na noite de lançamento do livro, no SBPJor 2016.

Critérios de noticiabilidade no jornalismo

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Na última manhã do 14º SBPJor, a sessão de comunicação coordenada temática Critérios de noticiabilidade jornalística, discutiu os processos e ambientes da produção da notícia e reflexões metodológicas sobre critérios de análise de noticiabilidade.

Thais Mendonça Jorge analisou as primeiras páginas dos Jornais On-line O Globo e Folha de São Paulo de julho deste ano. A pesquisadora aponta a fluidez dos critérios de noticiabilidade e reforça a presença ideológica de forma implícita nas matérias, demonstrando que a notícia não espelha a realidade, mas ajuda a constitui-la como fenômeno social compartilhado.

Lia Seixas, coordenadora da mesa, refletiu sobre as bases da sistematização de critérios de noticiabilidade e analisou a relação do valor humano e o valor notícia. Por sua vez, o professor Marcos Paulo da Silva, discutiu sobre a concepção de noticiabilidade nas redações e a midiatização da vida cotidiana. Ele concluiu que a forma de conceber o que é noticiável para os jornalistas está diretamente ligada à lógica do cotidiano, que estaria “calcada na temporalidade e constituiria uma forma de conhecimento partilhado”. Assim, o jornalista procura o noticiável no que destoa dessa lógica.

Texto: Gustavo Neves

Foto: Douglas Heinzen